Semaglutida além do emagrecimento: benefícios que vão muito além da balança

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A semaglutida, cada vez mais comentada, vem chamando a atenção não apenas pelos efeitos na perda de peso, mas também por benefícios metabólicos e comportamentais que impactam diretamente a saúde e a qualidade de vida. Entender esses efeitos é essencial para usar o medicamento com segurança e propósito, sempre com acompanhamento médico especializado.

O que é a semaglutida

A semaglutida é um medicamento da classe dos análogos do GLP-1, hormônio naturalmente produzido pelo intestino e liberado após as refeições. Ela foi inicialmente desenvolvida para o tratamento do diabetes tipo 2, mas estudos robustos demonstraram sua eficácia também no tratamento da obesidade. Por isso, hoje a semaglutida é utilizada em diferentes contextos da endocrinologia, sempre com indicação individualizada.

Do ponto de vista médico, é importante reforçar que a semaglutida não é um remédio estético. Trata-se de uma terapia metabólica, indicada para pessoas com doenças crônicas, como obesidade, diabetes e condições associadas ao excesso de peso.

Como a semaglutida funciona no organismo

O principal mecanismo de ação da semaglutida está relacionado ao controle do apetite e da saciedade. Ela age em receptores específicos no cérebro, especialmente no hipotálamo, reduzindo a fome e aumentando a sensação de saciedade após as refeições. Além disso, a semaglutida:

  • Retarda o esvaziamento gástrico
  • Melhora o controle da glicemia
  • Reduz picos de insulina
  • Contribui para melhor regulação do metabolismo

Semaglutida além do emagrecimento

Quando falamos em semaglutida além do emagrecimento, entramos em um campo muito relevante da endocrinologia moderna. A perda de peso, por si só, já melhora diversas doenças, mas a semaglutida parece ter efeitos adicionais que independem apenas da redução do peso corporal.

Segundo uma revisão publicada no New England Journal of Medicine, a semaglutida demonstrou impacto significativo não apenas no peso corporal, mas também em importantes marcadores metabólicos, como controle glicêmico, redução de inflamação e melhora do risco cardiovascular, ampliando seu papel no tratamento de doenças crônicas associadas à obesidade. 

Semaglutida e apneia do sono

A apneia obstrutiva do sono (AOS) é uma condição comum em pessoas com sobrepeso e obesidade. Ela é caracterizada por pausas repetidas na respiração durante o sono, levando à sonolência diurna, maior risco cardiovascular e pior qualidade de vida. Tradicionalmente, o tratamento padrão é a pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), mas nem todos os pacientes conseguem aderir bem a essa terapia.

Pesquisas recentes sobre agonistas do receptor de GLP-1, a classe de medicamentos da qual a semaglutida faz parte, mostram que eles podem reduzir a gravidade da AOS quando usados em pacientes com obesidade ou diabetes. Uma meta-análise publicada em 2025 avaliou vários estudos clínicos randomizados e observou benefícios importantes:

  • Uso de agonistas de GLP-1 reduziu o índice de apneia-hipopneia (AHI), que é o parâmetro principal para medir a gravidade da apneia do sono, indicando menos eventos de interrupção da respiração durante o sono.
  • A redução de AHI foi associada à diminuição do peso corporal e melhora de parâmetros metabólicos, como pressão arterial e índice de massa corporal, fatores que contribuem para a fisiopatologia da apneia.

Além disso, outra revisão sistemática demonstrou que, embora os dados ainda sejam limitados, existe uma tendência positiva no uso desses medicamentos para melhorar parâmetros respiratórios e do sono em pessoas com obesidade e AOS, com um perfil de segurança aceitável.

Esses achados não significam que a semaglutida substitui o CPAP ou os tratamentos convencionais. No entanto, mostram que a terapia com agonistas de GLP-1 pode ser uma estratégia complementar eficaz, especialmente em pacientes com apneia do sono associada à obesidade, contribuindo para melhores resultados respiratórios e metabólicos.

Semaglutida e redução do abuso de álcool

Além de seus efeitos metabólicos, estudos clínicos recentes sugerem que a semaglutida pode influenciar positivamente os padrões de consumo de álcool em adultos com transtorno por uso de álcool (AUD).

Um ensaio clínico randomizado, publicado em JAMA Psychiatry, avaliou participantes diagnosticados com AUD que receberam injeções semanais de semaglutida ou placebo por nove semanas. Os resultados mostraram que:

  • Os indivíduos que utilizaram semaglutida consumiram significativamente menos álcool nos dias em que bebiam, com uma redução média de até 40% no volume de bebida comparado ao grupo de controle.
  • O desejo por álcool e os episódios de consumo excessivo (comumente definido como ingestão de quatro ou mais doses para mulheres e cinco ou mais para homens) também diminuíram de forma relevante no grupo tratado.

Os pesquisadores atribuíram esse efeito ao impacto da semaglutida no sistema de recompensa no cérebro, semelhante ao seu papel na redução do apetite. Essa ação neuromoduladora pode ajudar a diminuir a compulsão por álcool, abrindo novas possibilidades terapêuticas para o tratamento do AUD.

Esses achados são especialmente relevantes porque tratamentos farmacológicos eficazes para o transtorno por uso de álcool ainda são escassos, e a semaglutida pode representar uma nova abordagem complementar, sempre com acompanhamento médico especializado.

Quem pode se beneficiar da semaglutida

A semaglutida pode ser indicada para diferentes perfis de pacientes, desde que avaliados por um endocrinologista. Entre os principais grupos estão:

  • Pessoas com obesidade ou sobrepeso com comorbidades
  • Pacientes com diabetes tipo 2
  • Indivíduos com apneia do sono associada ao excesso de peso
  • Pacientes com comportamento alimentar compulsivo
  • Pessoas com dificuldade de controle metabólico

Cada caso deve ser avaliado de forma individual, considerando riscos, benefícios e objetivos terapêuticos.

A importância do acompanhamento endocrinológico

Apesar dos benefícios, a semaglutida não é isenta de efeitos colaterais. Náuseas, vômitos, alterações gastrointestinais e intolerância podem ocorrer, especialmente quando usada sem orientação adequada.

O acompanhamento com uma endocrinologista experiente garante:

  • Ajuste correto da dose
  • Monitoramento de efeitos colaterais
  • Avaliação de resultados reais
  • Integração com mudanças de estilo de vida

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia reforça que o uso da semaglutida deve sempre ocorrer com prescrição médica e acompanhamento contínuo.

Conclusão

A semaglutida representa um avanço importante no tratamento de doenças metabólicas e comportamentais, além de suas funções principais como o controle da diabetes tipo 2 e do tratamento da obesidade. 

Seus efeitos vão muito além da balança, impactando condições como apneia do sono, controle glicêmico e até o auxílio na redução do consumo de álcool. No entanto, para que esses benefícios sejam alcançados com segurança, é fundamental contar com orientação especializada.

Se você busca um tratamento sério, individualizado e baseado em ciência, agende uma consulta com a Dra. Ana Bárbara Trizzotti, endocrinologista em Botucatu, SP. A avaliação correta faz toda a diferença para transformar informação em saúde e qualidade de vida.

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Dra. Ana Bárbara Trizzotti

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